[Sexta-feira, Abril 07, 2006]
A políticia atual? Não há muito o que comentar...ê decepção...
Esta charge foi retirada do Correio Braziliense do dia 06/04/2006
E, para mudar um pouco o terrível clima de inconformismo, vou postar outro poema:
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... "
(Fernando Pessoa)
Por
Anne Karolyne às [Sexta-feira, Abril 07, 2006]
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[Quinta-feira, Abril 06, 2006]
O Mistério das Cousas
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
Há Metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber o que não sabem?
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo" ...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas,
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De que, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
"A árvore" - Chapada dos Veadeiros, dia 01/01/2005, Alto Paraíso - GO
Por
Anne Karolyne às [Quinta-feira, Abril 06, 2006]
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[Quarta-feira, Abril 05, 2006]
Hoje estou super-ocupada, então vou postar um poeminha que eu já conhecia e meu amigo enviou a mim de novo. Gosto muito dele!
Não entendo
(Clarice Lispector )
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do
modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de
espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção
estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é
uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não
entendo.
Esta foi foi tirada na Chapada dos Veadeiros, no dia 31/12/2005, Alto Paraíso - GO
Por
Anne Karolyne às [Quarta-feira, Abril 05, 2006]
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[Terça-feira, Abril 04, 2006]
O "poder" não se constitui apenas do aparelho estatal, mas de uma complexa trama de organizações espalhadas pela sociedade civil, por meio das quais a "ideologia" dominante se perpetua através das gerações, criando uma barreira de proteção invisível contra a ação revolucionária.
(Antônio Gramsci)
Esta charge do Dante foi feita originalmente para O ESTADO DO PARÁ
Por
Anne Karolyne às [Terça-feira, Abril 04, 2006]
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[Segunda-feira, Abril 03, 2006]
"Jornalismo é a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter." Cláudio Abramo (1923-1987)
Esta charge do Alecrim foi feita originalmente para o A CHARGE ONLINE
A imprensa, longe da diversidade
Luciano Martins Costa (*)
A Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica é o evento internacional mais importante do semestre. Milhares de participantes, oriundos de todos os continentes, encontraram-se em Curitiba nas três últimas semanas, promoveram desde pajelanças e outras manifestações étnicas e culturais até as decisões que serão referendadas pelos países-membros da Convenção.
Centenas de jornalistas de variadas nacionalidades lotaram as salas de imprensa ¿ e, após os trabalhos, animaram alguns dos bons botecos da cidade ¿ numa deliciosa exibição de estilos e humores diversos e que invariavelmente convergiam para o que é próprio de jornalistas: discussões bem-humoradas, curiosidade extremada e muitas, muitas idéias interessantes sobre o estado do mundo.
Jornalistas não são protagonistas, e nada disso saiu na imprensa. Mas a delícia de sentar-se à mesa para uma cerveja com um colombiano em trajes europeus e uma finlandesa em roupas tribais, tendo ao lado um canadense que se dedica a gozar seu amigo americano, traz uma constatação otimista: a imprensa pode estar em crise na maior parte do mundo, mas os jornalistas não.
Mundo de verdade
Os coleguinhas de todas as cores continuam afiados na arte de bem observar a realidade. Mesmo que os debates oficiais tenham revelado grandes dificuldades para arrancar decisões importantes de governos e representantes das empresas em relação ao precário estado do mundo, os teclados das salas de imprensa passaram estes dias a ressaltar pequenos avanços, vitórias pontuais, cobranças contundentes.
Impossível cobrir tudo, mas os europeus e canadenses viram um evento que os brasileiros ignoraram. A imprensa brasileira não percebeu essa riqueza. Nossos repórteres devem ter se sobrecarregado demais para algumas conversas no café, para uma cerveja no Bar Babilônia, para uma discussão madrugada adentro sobre o futuro do capitalismo. O boteco, essa instituição onde as diferenças se afinam e o espírito se revela, parece ter sido banido dos hábitos profissionais do jornalista brasileiro.
Parece que ficamos todos muito sérios, muito circunspectos. Não nos permitimos a bobagem, o riso solto, a experimentação de idéias sem compromisso com o público. A biodiversidade se manifestou com toda sua força, expressou-se nos esforços de gente de origens variadas para entender uma piada, para interpretar um ponto de vista curioso.
Afogados num oceano de press-releases, não percebemos que o mundo de verdade acontecia nessa troca, na riqueza da diferença. O público vai ficar com os informes oficiais.
(*) Jornalista
Por
Anne Karolyne às [Segunda-feira, Abril 03, 2006]
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